Soraya Thronicke admite ter sido enganada por Bolsonaro e diz que bolsonarismo virou “seita”

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) afirmou, em entrevista, que foi enganada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, mas reconheceu que “permitiu ser enganada”. A parlamentar, que iniciou sua trajetória política no movimento pelo impeachment de Dilma Rousseff e se elegeu em 2018 com o apoio de Bolsonaro, rompeu com o ex-presidente poucos anos depois. Hoje, afirma que o bolsonarismo se transformou em uma “seita” e que foi vítima do chamado “gabinete do ódio”, grupo acusado de atacar opositores nas redes sociais.

Soraya, advogada e empresária em Mato Grosso do Sul, despontou na política com um discurso anticorrupção e acabou eleita pelo PSL, partido de Bolsonaro, com 16% dos votos. Contudo, a relação entre ambos se deteriorou entre 2019 e 2020. Segundo ela, o motivo foi a falta de diálogo e a radicalização política. “O não escutar a opinião foi um dos problemas. Outro foi nos incitar contra o STF”, disse.

Em 2022, Soraya concorreu à Presidência da República pelo União Brasil, tornando-se uma das vozes mais críticas ao então presidente. Durante os debates, viralizou ao chamar Bolsonaro de “tchutchuca com outros homens” e “tigrão com outras mulheres”, em defesa da jornalista Vera Magalhães.

Hoje no Podemos, ela tenta se reposicionar como uma política de centro-direita e reconhece avanços no governo Lula, a quem elogia pelos “bons índices econômicos”. Para Soraya, Lula tem chances reais de reeleição, enquanto o bolsonarismo se mantém “preso a um culto de personalidade”.

A senadora também destacou sua atuação na CPI das apostas esportivas (“bets”), cujo relatório foi derrotado por um voto. Ela afirmou ter sofrido pressões, calúnias e ameaças por investigar o lobby das casas de apostas. “Foi uma derrota que se transformou em vitória, porque revelou o poder desse setor”, disse.

Soraya ainda relatou episódios de perseguição e ameaças de morte — inclusive feitas por um servidor público que foi afastado. Ela afirmou que o extremismo político e o discurso de ódio nas redes sociais criaram “um surto coletivo de loucura”.

Ao avaliar o cenário político atual, a senadora defendeu o diálogo e criticou a falta de transição entre os governos Bolsonaro e Lula. Para ela, o ex-presidente é “anti-democrata” e não representa a direita verdadeira. “Eu conheci os bastidores, o discurso e a prática. Ele me enganou porque eu permiti”, declarou.

Soraya afirma que jamais apoiará um candidato ligado ao bolsonarismo e diz que o país precisa superar a polarização. “O verdadeiro conservadorismo é institucional, não de costumes. E quem tentou dar golpe não é conservador”, concluiu.

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