EUA anunciam ausência na COP30 em Belém e reforçam afastamento de pactos climáticos globais

O governo dos Estados Unidos confirmou oficialmente que não enviará representantes à COP30, conferência mundial do clima que será realizada em Belém do Pará em novembro de 2025. A decisão, informada por uma fonte da Casa Branca à agência Reuters, marca um novo capítulo na política ambiental norte-americana, cada vez mais distante de compromissos multilaterais sobre o clima.

A COP30 reunirá líderes e especialistas de dezenas de países para discutir medidas de combate às mudanças climáticas, com destaque para a proteção da Amazônia e o financiamento internacional de políticas ambientais. A ausência dos EUA — um dos maiores emissores de gases do efeito estufa — é vista por analistas como um golpe simbólico nas negociações globais, especialmente porque o país desempenha papel central na transição energética mundial.

Fontes ligadas ao governo afirmaram que a decisão reflete uma orientação direta do presidente Donald Trump, que desde seu retorno à Casa Branca vem reiterando críticas aos acordos ambientais. Em discurso recente na Assembleia-Geral da ONU, Trump chamou a teoria das mudanças climáticas de “o maior golpe do mundo” e acusou organismos internacionais de impor “custos injustos” às economias nacionais.

Ainda segundo a Reuters, a Casa Branca pretende manter apenas diálogos bilaterais sobre energia, concentrando esforços em acordos que favoreçam o setor de gás natural liquefeito (GNL) e as exportações americanas para a Europa, Ásia e China. O Departamento de Estado revisa também a adesão dos EUA a outros pactos ambientais, incluindo tratados sobre poluição plástica e emissões marítimas.

Em outubro, Washington chegou a pressionar a Organização Marítima Internacional (OMI) a adiar, por um ano, a votação de um preço global do carbono no transporte marítimo, sob ameaça de impor sanções econômicas a países que apoiassem a medida. A postura reforça a tendência de isolamento diplomático dos EUA em temas ambientais e de reorientação de sua estratégia energética para dentro do país.

O afastamento norte-americano já provoca repercussões diplomáticas. Especialistas alertam que a ausência dos EUA na COP30 pode enfraquecer o alcance das metas climáticas e reduzir o compromisso de outras potências industriais com a neutralidade de carbono. Ainda assim, o governo brasileiro mantém otimismo quanto à conferência, apostando no protagonismo da Amazônia como eixo central das negociações.

A decisão também gerou debates na comunidade internacional. Empresários e influenciadores próximos ao governo americano — entre eles o bilionário Bill Gates — defenderam uma “revisão de prioridades” na agenda climática, argumentando que os recursos deveriam se concentrar em inovação tecnológica e adaptação, e não em metas de temperatura consideradas “irreais”.

Para diplomatas brasileiros, o desafio agora será preservar o peso político da COP30, que segue como o maior evento ambiental da história do país. A conferência será palco de discussões sobre financiamento climático, transição energética e preservação das florestas tropicais, mesmo sem a presença da maior economia do planeta.

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