O governo federal decidiu encerrar os convênios firmados com o Instituto de Articulação de Juventude da Amazônia (IAJA), organização criada por Anne Moura, ex-candidata a vice-governadora do Amazonas e atual secretária nacional de Mulheres do PT. A decisão, divulgada nesta sexta-feira (19) pelo jornal Estadão, ocorre após auditoria do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontar sérias irregularidades no uso de recursos públicos destinados a projetos de capacitação em Manaus.
Segundo o relatório, do total de R$ 1,2 milhão previsto, cerca de R$ 600 mil chegaram a ser repassados ao instituto. Contudo, 97% desse montante foi utilizado antecipadamente e sem comprovação adequada das atividades. O documento também destaca a ausência de processos regulares de cotação de preços e recomenda a devolução de aproximadamente R$ 584 mil, além do cancelamento definitivo do convênio.
O caso ganhou ainda mais repercussão após a divulgação de áudios atribuídos a Anne Moura. Nas gravações, ela supostamente pressionaria integrantes do Ministério da Cultura (MinC) para que recursos federais fossem usados em benefício de aliados políticos durante as eleições municipais de 2024. Na ocasião, Anne Moura disputou uma vaga na Câmara Municipal de Manaus, mas terminou a corrida eleitoral sem êxito, recebendo apenas 2.399 votos, apesar do aporte de R$ 428,4 mil do PT para sua campanha.
Os áudios levantaram suspeitas de que haveria uma tentativa de instrumentalizar programas federais, como o Programa Nacional dos Comitês de Cultura (PNCC), para fins eleitorais. O Tribunal de Contas da União (TCU) já abriu uma auditoria para apurar se houve de fato uso político desses recursos.
Anne Moura, por sua vez, negou qualquer irregularidade. Ela afirmou que os áudios foram retirados de contexto e utilizados para fragilizar sua imagem pública e trajetória política. Ainda assim, o episódio reforçou os questionamentos sobre a transparência na gestão de convênios com entidades ligadas a dirigentes partidários e colocou em evidência a necessidade de maior rigor na fiscalização de verbas federais voltadas à juventude e à cultura.