A Polícia Federal aprofundou as investigações sobre o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, após o surgimento de áudios que revelam declarações comprometedoras feitas por ele em 2021, durante uma viagem ao Acre. No registro, Rueda afirmou possuir cinco jatinhos e expressou a intenção de ampliar a frota para dez aeronaves, destacando que cada avião poderia gerar cerca de R$ 500 mil mensais com serviços de táxi aéreo.

O dirigente também admitiu que utilizava um dos jatos em voos particulares, cujos custos eram cobertos pelo antigo PSL, partido que viria a se fundir ao União Brasil. O episódio levantou suspeitas sobre a utilização de recursos partidários em benefício próprio e acendeu o alerta da PF para possíveis irregularidades.
A chamada Operação Carbono Oculto, que tem Rueda como alvo, apura se as aeronaves, avaliadas em R$ 60 milhões, são de fato de sua propriedade, embora estejam formalmente registradas em nome de terceiros e fundos de investimento. Documentos da ANAC apontam que um contador ligado a ele aparece como dono oficial dos aviões.
As investigações se entrelaçam com outras frentes, como as operações Tank e Quasar, que também buscam rastrear mecanismos de ocultação patrimonial em esquemas considerados “caixa-preta”. A Táxi Aéreo Piracicaba, empresa citada no inquérito, teria prestado serviços a políticos em exercício de mandato, o que amplia o alcance das apurações e reforça as suspeitas sobre a rede de interesses envolvida.
O caso expõe fragilidades na transparência da política brasileira e reforça o debate sobre o uso de estruturas financeiras complexas para dissimular patrimônio de lideranças partidárias. O desfecho da investigação pode impactar não apenas a imagem de Rueda, mas também o futuro do União Brasil.