Manaus – O cenário político amazonense se transformou em um verdadeiro campo de guerra nesta semana. De um lado, o ex-governador e atual pré-candidato ao Senado, Wilson Lima (União Brasil). Do outro, o senador Omar Aziz (PSD). Em comum? Ambos tentam descredibilizar o adversário usando o calcanhar de Aquiles da política estadual: a corrupção na saúde pública. No entanto, a troca de acusações revela que, na disputa de narrativas do Amazonas, atirar pedras é uma tática perigosa quando os dois lados habitam casas com tetos de vidro fragilizados por operações da Polícia Federal.
O estopim mais recente dessa guerra fria ocorreu nesta quarta-feira (7/7), durante o lançamento da pré-candidatura de Roberto Cidade (União Progressista) à reeleição, no bairro Adrianópolis. Em seu discurso inflamado, Wilson Lima mirou o passado de seus adversários políticos, trazendo à tona o fantasma de uma das maiores feridas do estado.
O Ataque: A Sombra da “Maus Caminhos”
Sem citar nominalmente o senador Omar Aziz, Wilson foi cirúrgico em sua estocada: “O processo da Maus Caminhos tá adormecido na Justiça, mas ele tá muito presente na mente das pessoas”. O pré-candidato aproveitou o palanque para exaltar as entregas de sua gestão, como a ampliação do serviço aeromédico e a instalação de leitos no interior, acusando os antecessores de terem negligenciado a população.
A Operação Maus Caminhos é a grande sombra na biografia política de Omar Aziz. Deflagrada para investigar desvios milionários do Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2010 e 2016 (período que abrange seu governo e o de José Melo), a operação revelou um esquema sofisticado de superfaturamento e fraudes envolvendo o Instituto Novos Caminhos (INC).
O impacto chegou ao núcleo mais íntimo do senador em 2019, através da Operação Vértex, que resultou na prisão temporária de sua então esposa, Nejmi Aziz, e de três de seus irmãos. Omar, por sua vez, mantém sua linha de defesa intacta. Ao ser questionado recentemente, o parlamentar rebateu com firmeza: “Nunca fui denunciado. Procure por uma denúncia, algum julgamento ou alguma condenação contra mim, não tem absolutamente nada”. Aziz acusa a administração de “deixar pessoas morrerem sem oxigênio” e resgata o polêmico caso da compra de respiradores em uma loja de vinhos. Para reforçar a crítica, ele também foca no presente, denunciando atrasos de até sete meses no pagamento de profissionais da área médica, tentando colar na atual gestão a imagem de colapso contínuo.
A ‘Pedrada’ de Omar
As palavras de Wilson Lima são uma resposta direta à fala do senador Omar Aziz. O pré-candidato ao Governo jogou uma verdadeira ‘pedrada’ em forma de acusação ao afirmar que a ex-gestão de Lima “deixou pessoas morrerem sem oxigênio”, além de citar o polêmico caso da compra de respiradores em uma loja de vinhos. Para reforçar a crítica, Omar também foca no presente, denunciando atrasos de até sete meses no pagamento de profissionais da área médica, tentando colar na atual gestão a imagem de colapso contínuo.
O Retrato no Espelho: A Sombra da “Operação Sangria”
Se o passado da Maus Caminhos assombra Omar Aziz, o presente de Wilson Lima é marcado a ferro e fogo pela Operação Sangria. Ao apontar o dedo para a gestão da saúde de seus antecessores, Wilson acaba jogando luz sobre a sua própria administração durante o período mais sombrio da história recente do Amazonas: a pandemia de Covid-19.
A Polícia Federal investigou o governo Wilson Lima por um esquema que chocou o país: a compra de 28 respiradores mecânicos em uma importadora de vinhos.
Os requintes da Operação Sangria:
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Superfaturamento: A PF apontou um sobrepreço de 133,67% (cerca de R$ 60 mil a mais por equipamento).
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Inadequação: Os aparelhos sequer serviam para o tratamento de pacientes graves com Covid-19 em UTIs.
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Ações da Justiça: A PF chegou a pedir a prisão de Wilson Lima. O STJ negou o encarceramento, mas autorizou buscas em sua casa e gabinete, além do bloqueio de bens. Secretários de saúde de sua confiança foram presos.
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O Veredito Inicial: Em setembro de 2021, o STJ tornou Wilson Lima réu por peculato, cravando uma marca indelével em sua gestão.
O Raio-X dos Telhados de Vidro
Para o eleitor, a briga de gigantes se traduz em um histórico que precisa ser analisado com cautela. Abaixo, um resumo do que pesa contra cada lado:
Conclusão
Na política, a memória do eleitor é o principal campo de batalha. Wilson Lima aposta no desgaste contínuo da imagem de Omar Aziz atrelada à Maus Caminhos para alavancar seus aliados e sua própria candidatura. No entanto, ao puxar o gatilho da moralidade na saúde pública, o ex-governador esquece que o eco da Operação Sangria ainda ressoa forte. No fim do dia, a briga para ver quem vai estourar primeiro o teto de vidro do outro pode acabar deixando ambos sob uma chuva de estilhaços.