Prefeito de Ananindeua é flagrado em jatinho de empresa contratada por R$ 58 milhões pela própria prefeitura

O prefeito de Ananindeua (PA), Dr. Daniel Santos (PSB), enfrenta novas suspeitas de favorecimento após ser flagrado viajando com a família em um jatinho particular pertencente a uma empresa contratada pela própria prefeitura. As imagens, que circularam nas redes sociais no último fim de semana, mostram o gestor embarcando e desembarcando da aeronave de matrícula PP-OLY, identificada como propriedade da Lucena Infraestrutura Ltda, operada pela Norte Ambiental Gestão e Serviços Ltda.

Segundo registros da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a empresa é a responsável direta pelo jato utilizado pelo prefeito. Coincidentemente — ou não —, a Norte Ambiental é uma das principais fornecedoras de serviços para o município de Ananindeua, tendo recebido R$ 58,5 milhões em repasses públicos entre 2023 e 2025.

Os valores mostram um crescimento expressivo nos contratos: R$ 7 milhões em 2023, R$ 12,2 milhões em 2024 e R$ 39,3 milhões somente até outubro de 2025, conforme dados do Portal da Transparência da prefeitura. As quantias foram repassadas principalmente pelas Secretarias Municipais de Saneamento e Infraestrutura e de Serviços Urbanos.

Em julho deste ano, a Norte Ambiental venceu uma licitação de R$ 18,9 milhões para o aluguel de caminhões de lixo e tratores agrícolas destinados à coleta de resíduos sólidos. Contudo, o histórico da empresa já havia sido alvo de polêmica. No início de 2025, surgiram denúncias de que ela teria recorrido a uma empresa de fachada para prestar serviços de coleta de lixo sem licitação — o que motivou pedidos de investigação por parte de vereadores de oposição.

Os novos vídeos reacenderam as críticas à administração de Daniel Santos. Nas redes sociais, internautas e lideranças locais questionam possível conflito de interesses e uso indevido de estrutura privada ligada a contratadas da prefeitura. Até o momento, o prefeito não se manifestou publicamente sobre o caso.

Fontes próximas ao governo municipal afirmam que a viagem teria caráter “pessoal e familiar”, mas não esclareceram quem custeou o deslocamento. O Ministério Público do Pará estuda abrir procedimento para apurar se houve irregularidades administrativas ou violação à Lei de Improbidade.

A repercussão do episódio ocorre em meio a um cenário de crescente desconfiança sobre a gestão dos contratos de limpeza urbana e infraestrutura em Ananindeua, uma das áreas que mais movimentam recursos no município. Caso as suspeitas se confirmem, Daniel Santos poderá responder por uso indevido de benefício privado com origem em contratos públicos, o que pode resultar em sanções políticas e judiciais.

Enquanto isso, moradores da cidade cobram mais transparência sobre os gastos e exigem explicações do prefeito — que, até o fechamento desta reportagem, não havia emitido nota oficial.

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