Amazonas – A crise da saúde pública no Amazonas é um tema que não pode ser esquecido. Recentemente, o governador Roberto Cidade anunciou uma força-tarefa para reorganizar essa área crucial, destacando o pagamento de R$ 100 milhões que estavam atrasados a médicos e Organizações Sociais (OSs). No entanto, essa promessa de “arrumar a casa” esbarra em um fato incontestável: ele foi parte do governo que deixou essa situação se agravar.
Roberto Cidade, ao assumir o cargo, assumiu um tom de quem herda uma situação crítica, proclamando que a saúde é a pasta mais sensível e que não gostaria de estar em uma posição que inclui dívidas com profissionais da saúde. Contudo, essa narrativa é contraditória, uma vez que, antes de ser governador, Cidade era o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM).
Neste papel, ele não era um mero espectador da crise; tinha o poder de fiscalização. Sua obrigação constitucional era barrar o desmantelamento da saúde, convocar os responsáveis da gestão anterior, exigir transparência nos repasses e impedir que a dívida de milhões contra médicos e cooperativas continuasse a crescer.
Entretanto, a ALEAM, sob sua liderança, optou pelo silêncio, enquanto o sistema de saúde se deteriorava. As filas nos hospitais aumentaram e os salários dos profissionais de saúde foram consistentemente atrasados, com a conivência do Legislativo.
O montante de R$ 100 milhões que foi agora quitado não é um favor do governo; é a culminação de meses de negligência que permitiram que a crise se agravasse. Essa liberação deste montante evidencia que o recurso sempre existiu, mas a moral de fiscalização necessária era inexistente no momento em que a dívida começou a se acumular.
Palanque Eleitoral na Crise
Com o controle da máquina pública e a proximidade das eleições, a resolução da crise, que ele ajudou a ignorar, se transformou em uma narrativa conveniente. O novo secretário de saúde está sendo enviado para visitas em unidades e reuniões de emergência com as cooperativas, ações que a população já exigia muito antes da troca de governo que ocorreu.
Os cidadãos amazonenses não sofrem de amnésia. A tentativa de se apresentar como o salvador do sistema de saúde é uma narrativa que não apaga os erros do passado. O pagamento de R$ 100 milhões é uma ação tardia que não altera a responsabilidade política por anos de inércia na ALEAM. A verdade é clara: a saúde do Amazonas só se tornou prioridade quando a caneta do Executivo mudou de mãos.
A Memória da População e as Consequências da Inércia
A população não esquece que, enquanto o governador atuava como presidente da ALEAM, a saúde pública do Amazonas foi negligenciada, levando a um colapso que afeta diretamente a vida de milhares de pessoas. A falta de ações que realmente resolvessem a crise quando ele detinha o poder é um ponto que deve ser constantemente lembrado.
O discurso político em tempos de crise frequentemente ignora as falhas passadas, buscando criar uma nova narrativa que encubra a ineficiência anterior. O líder que agora tenta reparos na saúde do Amazonas é o mesmo que não implementou mudanças enquanto tinha a capacidade de influenciar a situação.
Uma Nova Abordagem e a Necessidade de Ação Imediata
Se o governador pretende realmente resolver os problemas que assolaram a saúde pública do Amazonas, ele precisa ir além de simples anúncios e promessas. A verdadeira ação deve ser imediata e não apenas focada em resultados que favoreçam a imagem política em ano eleitoral.
Os cidadãos merecem mais do que palavras. Eles precisam de ações efetivas que realmente busquem reconstruir um sistema de saúde que estava à deriva. As medidas emergenciais são necessárias, mas obrigatoriamente acompanhadas de um compromisso sério com a fiscalização e a transparência, a fim de que erros passados não se repitam.