O governo federal anunciou nesta sexta-feira (10) uma nova linha de crédito para a compra da casa própria, voltada especialmente à classe média, que até agora tinha acesso limitado a programas habitacionais. A medida integra o Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e busca viabilizar a construção de mais moradias, além de ampliar o número de famílias atendidas pelo crédito imobiliário.
Com as novas regras, o valor máximo do imóvel financiado sobe de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, permitindo que famílias de maior renda possam contar com condições mais acessíveis. Além disso, os juros do SFH passam a ser de até 12% ao ano, abaixo da taxa básica da economia, atualmente em 15% ao ano, o que torna o financiamento mais vantajoso.
A Caixa Econômica Federal poderá financiar até 80% do valor do imóvel por meio do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), retomando o percentual que vigorava antes de novembro de 2024, quando o limite era de 70%. Outra novidade importante é a possibilidade de utilização do FGTS na compra do imóvel, podendo o comprador usar o saldo para dar entrada, abater parte do saldo devedor ou amortizar parcelas durante o contrato.
O programa é direcionado a famílias com renda acima de R$ 12 mil, público que até então ficava de fora do crédito habitacional voltado à classe média. Para as famílias com renda inferior a esse valor, seguem vigentes os programas voltados à população de baixa renda, como o Minha Casa, Minha Vida.
O governo estima que a Caixa financie cerca de 80 mil novos imóveis com as novas regras, liberando um total de R$ 111 bilhões em crédito habitacional no primeiro ano, valor que representa R$ 52,4 bilhões a mais do que o modelo anterior. Desse total, R$ 36,9 bilhões devem ser liberados de imediato.
O processo de implementação será gradual, começando ainda em 2025, e terá plena vigência a partir de janeiro de 2027. Durante o período de transição, os depósitos compulsórios no Banco Central, atualmente de 20%, serão reduzidos, liberando gradualmente mais recursos da poupança para financiamento imobiliário. Após o término do período de transição, 100% dos recursos aplicados na poupança poderão ser direcionados para crédito habitacional, aumentando a oferta e facilitando o acesso à casa própria.