Especialistas descartam Trump como favorito ao Nobel da Paz 2025; organizações humanitárias lideram apostas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem defendido publicamente que merece o Prêmio Nobel da Paz de 2025, alegando supostas contribuições para a resolução de conflitos internacionais. No entanto, especialistas e analistas do prêmio alertam que suas ações políticas e controvérsias internacionais tornam improvável a conquista da honraria neste ano. O nome do vencedor será anunciado nesta sexta-feira (10).

Trump chegou a declarar que seria um insulto para o país caso não recebesse o prêmio, mencionando em reunião com a cúpula militar americana e em discurso na Assembleia Geral da ONU que teria encerrado sete guerras — afirmações contestadas por observadores internacionais. Além disso, formalmente, suas indicações vindas de países como Israel, Camboja e Paquistão chegaram fora do prazo para a edição de 2025, e só valeriam para 2026.

Este ano, o Comitê do Nobel da Paz recebeu 338 nomeações, entre 244 pessoas e 94 organizações, o maior número desde 2016. A lista completa de indicados é mantida em sigilo e só será divulgada daqui a 50 anos. O vencedor receberá medalha, diploma e um prêmio equivalente a R$ 6,3 milhões. Segundo o testamento de Alfred Nobel, a honraria deve ser concedida à pessoa ou entidade que mais contribuiu para promover a amizade entre as nações.

Especialistas destacam que algumas ações de Trump podem pesar negativamente na decisão, como a retirada dos EUA da Organização Mundial da Saúde, do Acordo de Paris sobre o clima e o início de guerras comerciais com antigos aliados. Para Nina Graeger, diretora do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo, “não é exatamente isso que esperamos de alguém comprometido com a paz”.

Ainda assim, analistas afirmam que o ex-presidente poderia se tornar um candidato mais forte em 2026 se obtiver avanços concretos em conflitos como o da Ucrânia ou se conseguir um cessar-fogo duradouro na Faixa de Gaza.

Além das ações de Trump, sua própria campanha para influenciar o Comitê do Nobel também é vista como contraproducente. Asle Toje, vice-líder do Comitê Norueguês do Nobel, afirma que tentativas externas de pressão têm efeito negativo na escolha do vencedor, que é decidida por cinco membros trabalhando em isolamento.

Entre os favoritos para 2025, especialistas apontam organizações humanitárias e multilaterais, como a ONU, que completa 80 anos, associações de jornalistas, mediadores de cessar-fogo na África, o Centro Carter, a Liga Internacional das Mulheres pela Paz e Liberdade e órgãos judiciais internacionais. De acordo com Halvard Leira, do Instituto Norueguês de Assuntos Internacionais, a tendência é premiar candidatos “não controversos” que promovam direitos humanos, democracia e liberdade de imprensa.

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