O Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o afastamento temporário de seis meses do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa Castro, que é suspeito de chefiar um esquema de corrupção milionário iniciado durante a pandemia de COVID-19, em 2020. De acordo com investigações da Polícia Federal (PF), apenas com fraudes envolvendo cestas básicas, o grupo teria desviado cerca de R$ 73 milhões.
Segundo o ministro Mauro Campbell, do STJ, Wanderlei transformou o governo em um “verdadeiro balcão de negócios”. A investigação aponta que o esquema envolvia corrupção, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, com empresas de fachada ou em nome de laranjas simulando a prestação de serviços que jamais foram realizados.
O esquema teria começado quando Wanderlei era vice-governador e chefiava a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), responsável pela distribuição de cestas básicas. Áudios obtidos pela Polícia Federal e divulgados pelo Fantástico mostram operadores do grupo discutindo como administrar os recursos de emendas e dividir valores desviados. Um dos áudios revela que cestas eram reutilizadas várias vezes para simular entregas fictícias, enganando a fiscalização da Setas.
Além das cestas básicas, a investigação aponta para um esquema de cobrança de propina para antecipar pagamentos do governo a empresários. Wilton Rosa Pires e Maria do Socorro Guimarães, conhecidos como Bispa Socorro, seriam os principais captadores dessas propinas. A PF também investiga a construção da Pousada Pedra Canga, na Serra de Taquaruçu, em nome dos filhos de Wanderlei, com gastos superiores a R$ 6 milhões, supostamente para lavar dinheiro do esquema.
Mandados de busca e apreensão realizados em setembro encontraram R$ 52 mil na casa do governador e R$ 700 mil em outra residência de um dos suspeitos. Segundo o ministro do STJ, o afastamento foi necessário devido à expressiva quantia em dinheiro em espécie e à atualidade da lavagem de capitais. Wanderlei Barbosa é o terceiro governador do Tocantins afastado por irregularidades em mandato.
As defesas de Wanderlei e de seus familiares negam participação em qualquer esquema ilícito, afirmando que a investigação envolve “insinuações infundadas” e que os recursos usados na pousada foram próprios. Karynne Sotero, esposa de Wanderlei e secretária extraordinária de participações sociais, também nega envolvimento nos fatos investigados.