Em uma mudança estratégica na condução da política externa americana, o presidente Donald Trump cobrou publicamente que a Turquia suspenda a compra de petróleo e gás da Rússia, intensificando a pressão econômica sobre Moscou em meio à guerra na Ucrânia. A declaração foi feita durante seu longo discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, onde o líder americano também abordou outros temas polêmicos, como o reconhecimento do Estado Palestino, a crise migratória e as mudanças climáticas.
Durante quase uma hora, Trump elogiou o próprio governo, descrevendo os Estados Unidos como a “nação mais forte da Terra” em termos econômicos, militares e de fronteiras. Criticou países que reconheceram a Palestina, afirmando que tais gestos recompensam “terroristas do Hamas” e ignoram a liberação de reféns e a necessidade de cessar-fogo. Além disso, atacou a ONU, acusando a organização de financiar a crise migratória global e aconselhou que outros países fechem suas fronteiras para preservar soberania e segurança.
O presidente americano não poupou críticas às pesquisas sobre mudanças climáticas, chamando o tema de “a maior farsa do mundo” e negando décadas de evidências científicas, mesmo diante de relatórios internos do próprio governo que confirmam os impactos ambientais e à saúde humana.
Em sua ofensiva econômica, Trump defendeu o tarifaço aplicado a dezenas de países, que provocou disrupção no comércio internacional. Segundo ele, as tarifas são uma ferramenta para garantir que o sistema comercial mundial funcione a favor dos Estados Unidos, protegendo soberania e segurança nacional, inclusive contra nações que teriam se aproveitado de governos anteriores.
O recado à Turquia é parte de uma nova postura de Trump na guerra na Ucrânia: pressionar aliados que ainda mantêm relações econômicas com a Rússia, restringindo importações de energia e buscando isolar Moscou financeiramente. Especialistas acreditam que essa estratégia busca aumentar o custo do apoio russo à guerra, enquanto reforça a liderança americana na geopolítica global, mesmo que gere tensões comerciais e diplomáticas.