Entre Centrão, Bolsonaro e STF, Tarcísio tenta apagar incêndios políticos e frear especulações sobre 2026

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enfrenta um cenário de desgaste político após movimentos recentes que o colocaram em rota de colisão tanto com Jair Bolsonaro (PL), seu principal padrinho político, quanto com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com quem sempre manteve um diálogo pragmático.

Nos últimos meses, Tarcísio circulou em Brasília em meio a articulações do Centrão, que já ensaiava tratá-lo como candidato natural à Presidência em 2026. Esse movimento, porém, foi visto por Bolsonaro como um sinal de ingratidão, alimentando rumores de um afastamento entre os dois. Amigos próximos do ex-presidente relataram que ele se incomodou ao perceber que o governador paulista parecia deixar aberta a possibilidade de disputar o Planalto.

Na tentativa de conter especulações, Tarcísio declarou publicamente nesta quinta-feira (25) que não pretende disputar a Presidência e que seu foco está na reeleição ao governo paulista. Aproveitou ainda para defender a anistia a Bolsonaro, a quem chamou de “seu criador”. O gesto foi uma forma de aceno ao ex-presidente, em busca de recompor a relação.

O problema é que a aproximação com o Centrão e as críticas recentes à Justiça acabaram desgastando também sua imagem perante o STF. Em falas públicas, Tarcísio chegou a afirmar que não confiava no Judiciário e a direcionar ataques ao ministro Alexandre de Moraes, o que irritou integrantes da Corte. O governador, que vinha se equilibrando entre diálogo institucional e fidelidade à base bolsonarista, agora lida com resistência tanto em Brasília quanto no Judiciário.

A conjuntura se torna ainda mais complexa diante da mudança no humor político nacional. A direita, que parecia fortalecida no primeiro semestre, perdeu terreno após o episódio envolvendo Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, que resultou em medidas tarifárias de Donald Trump contra o Brasil. A crise abriu espaço para uma recuperação de Lula e minou o entusiasmo em torno dos pré-candidatos conservadores.

Diante desse quadro, Tarcísio tenta recalibrar sua estratégia: sinaliza fidelidade a Bolsonaro, busca reatar pontes com o STF e evita dar munição a especulações sobre 2026. O governador sabe que, neste momento, qualquer passo em falso pode fragilizar seu projeto de reeleição e comprometer sua influência no tabuleiro nacional.

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