O jornal britânico Financial Times apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como o principal favorito para vencer a eleição presidencial de 2026 no Brasil. A avaliação foi publicada na véspera do Ano Novo, dentro de uma lista com 20 apostas políticas globais para o ano seguinte, elaborada pelo veículo, um dos mais influentes do mundo no noticiário econômico e político.
Segundo o Financial Times, salvo a ocorrência de um problema de saúde inesperado, Lula chega à disputa de outubro em posição privilegiada, mesmo prestes a completar 80 anos durante o período eleitoral. A análise considera fatores internos e externos que, na visão do jornal, fortalecem a imagem do presidente brasileiro tanto no cenário doméstico quanto internacional.
Entre os pontos destacados está a tensão diplomática registrada ao longo de 2025 entre Lula e o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para o jornal, o embate acabou funcionando como um “cabo eleitoral” favorável ao petista, que teria se beneficiado politicamente por resistir às investidas do líder norte-americano. O Financial Times avalia que essa postura reforçou a imagem de Lula como um líder experiente e capaz de se posicionar com firmeza no cenário global.
A publicação também cita o desempenho da economia brasileira como um dos pilares da vantagem eleitoral atribuída ao presidente. Dados recentes mostram queda consistente do desemprego, que atingiu 5,2% no trimestre encerrado em novembro de 2025, a menor taxa desde 2012. No acumulado do ano, foram criados cerca de 1,9 milhão de empregos formais, apesar de uma desaceleração registrada no mês de novembro, influenciada, segundo o governo, pela taxa básica de juros em patamar elevado.
A leitura do Financial Times converge com levantamentos de intenção de voto divulgados no Brasil. Pesquisa da Genial/Quaest indicou que Lula venceria, em simulações de dois turnos, nomes como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os governadores Ratinho Junior (PSD-PR) e Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).
A avaliação do jornal britânico contrasta com a posição recente da revista The Economist, que publicou editorial defendendo que Lula não deveria concorrer à reeleição em 2026, citando a idade do presidente como um risco para o país. A posição gerou reação de aliados do governo, incluindo a ministra Gleisi Hoffmann, que criticou a análise e afirmou que o debate não se resume à questão etária, mas a projetos políticos e econômicos distintos para o Brasil.
Caso confirme o favoritismo e vença a disputa, Lula entrará para a história ao assumir um quarto mandato não consecutivo como presidente da República, após as eleições de 2002, 2006 e 2022, consolidando uma trajetória política sem precedentes no país.