Tarcísio defende anistia como caminho para “paz dialogada”, critica PEC da Blindagem e desconexão com população

Três dias após as manifestações contra a PEC da Blindagem e o projeto de anistia a condenados pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) se pronunciou pela primeira vez sobre os atos. Segundo ele, os protestos são “sintoma de desconexão do que está sendo feito com a vontade das pessoas”, referindo-se à PEC da Blindagem, proposta que inicialmente surgiu para proteger a imunidade parlamentar, mas que, na avaliação do governador, acabou se transformando em algo que privilegia a impunidade.

“Algo que nasceu para ser um remédio para proteger o parlamento, aquilo que a Constituição trouxe, a imunidade formal e material do parlamentar para exercer o mandato com independência, se transformou em outra coisa”, afirmou nesta quarta-feira (24). “Quando há distorção e a população percebe que está indo para o caminho de privilegiar a impunidade, há revolta.”

Apesar da crítica à PEC, Tarcísio defendeu a proposta de anistia a condenados pelos atos golpistas como uma forma de “paz dialogada” e não um estímulo à impunidade. “O que peço é que haja sabedoria, que se pense nas pessoas que tiveram apenamentos desproporcionais, como as do 8 de janeiro. Acho que temos remédios jurídicos para resolver isso. O projeto de lei pode representar o que a gente espera: uma paz dialogada”, disse.

Questionado sobre a dosimetria, alternativa defendida por bolsonaristas à anistia ampla, Tarcísio afirmou que espera que “seja feito o melhor para as pessoas do 8 de janeiro e todos que tiveram apenamentos injustos, inclusive Bolsonaro”.

O governador também modulou o tom em relação ao ato de 7 de setembro na Avenida Paulista, no qual defendia anistia ampla e criticava o ministro Alexandre de Moraes. Ele tem participado ativamente das articulações a favor da anistia, realizando reuniões no Palácio dos Bandeirantes e em Brasília, embora tenha cancelado viagem à capital federal no dia 15 de setembro, afirmando que o esforço necessário já havia sido feito.

A PEC da Blindagem segue em elaboração no Congresso. Nesta quarta, o relator da proposta, Paulinho da Força (Solidariedade), reuniu-se com bancadas partidárias para discutir a redução de penas. Na próxima segunda, Tarcísio visitará o ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, após autorização do STF.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), comentou sobre os atos e disse que é hora de “tirar da frente todas essas pautas tóxicas” e focar em reformas como a administrativa, segurança pública e isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais. Segundo Motta, as manifestações mostram que a democracia brasileira continua ativa e que a população está engajada nas discussões políticas.

Rolar para cima