O deputado estadual Daniel Almeida (Avante-AM) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALEAM), nesta terça-feira (11/12), para comentar as três ações judiciais movidas contra ele pelo vereador Sargento Salazar — todas julgadas improcedentes pela Justiça. As decisões, segundo o parlamentar, reafirmam não apenas a legalidade de sua atuação fiscalizatória, mas também o direito constitucional à liberdade de expressão e a proteção garantida pela imunidade parlamentar.
Em tom de provocação, Almeida ironizou o adversário político ao mencionar o famoso quadro do programa Fantástico, da TV Globo. “Tentaram me calar três vezes, e perderam três vezes. Até no Fantástico, depois de três tentativas frustradas, já dá para pedir música”, declarou, arrancando reações no plenário. O deputado reforçou que suas manifestações ocorreram dentro do debate político e que continuará exercendo sua função fiscalizadora sem temor de retaliações.
Durante o discurso, o parlamentar reforçou que foi eleito para representar os interesses da população amazonense e que não pretende recuar diante de ataques ou tentativas de intimidação. “Vou seguir cobrando, denunciando e fiscalizando tudo o que for necessário, doa a quem doer. Essa é minha obrigação como representante do povo”, afirmou.
As sentenças citadas por Almeida destacaram que as discussões entre ele e Salazar ocorreram em ambiente de disputa política, com trocas de críticas que não configuram dano moral. Os magistrados também reforçaram que as manifestações do deputado estão plenamente amparadas pela imunidade parlamentar, não havendo fundamentos para responsabilização civil.
Acusações de improbidade
Além de comentar as derrotas judiciais do vereador, Almeida voltou a apontar supostas irregularidades envolvendo o gabinete de Salazar. Ele mencionou que o vereador, embora se apresente nas redes sociais como um “paladino da justiça”, mantém nomeados em seu gabinete pessoas diretamente ligadas aos seus interesses particulares. Entre elas, um sócio de sua empresa de segurança e a esposa de Kidson Maia — amigo íntimo de Salazar e presença constante em seus vídeos nas redes sociais.
O deputado destacou ainda que Kidson Filho, sócio de Salazar na mesma empresa e atuante nas atividades privadas do vereador, também recebe salário da Câmara Municipal de Manaus (CMM). A família inteira, segundo Almeida, acumula remunerações públicas de forma simultânea, somando ao menos R$ 10.768,00 por mês apenas entre mãe e filho. Para o deputado, esse quadro evidencia um claro conflito de interesses e a utilização da estrutura pública para fins particulares, prática que se enquadraria como improbidade administrativa.
O caso já foi formalmente denunciado à Câmara Municipal de Manaus, que deverá instaurar procedimentos de apuração. Almeida reforçou que continuará cobrando transparência e responsabilização, independentemente de ameaças ou processos judiciais.