A mudança de postura de Durango Duarte não passou despercebida no cenário político amazonense. O marqueteiro, que até pouco tempo adotava um tom confiante e proclamava vitória no primeiro turno para Omar Aziz, agora demonstra evidente recuo diante do rearranjo das forças eleitorais no Estado. A ascensão da professora Maria do Carmo é apontada como um dos principais fatores dessa virada. Crescendo de forma consistente nas pesquisas e incomodando adversários, ela deixou de ser tratada como novidade para ocupar o posto de ameaça real ao projeto do grupo de Omar.
Seu avanço sólido abalou cálculos que antes pareciam imutáveis. Internamente, aliados de Aziz reconhecem que a professora alterou o equilíbrio da disputa, criando um ambiente de imprevisibilidade e levantando dúvidas sobre a força que o PSD acreditava ter consolidado. Analistas avaliam que o grupo político de Omar, antes confiante e respaldado por discursos de superioridade, agora enfrenta dificuldades para sustentar a narrativa de favoritismo.
Outro ponto deixado de lado pelo discurso de Durango é a influência determinante das máquinas políticas do Governo do Amazonas e da Prefeitura de Manaus. Caso as duas estruturas atuem alinhadas — seja em torno de David Almeida ou Tadeu de Souza — o impacto direto no resultado pode ser decisivo. Historicamente, o Amazonas registra eleições marcadas por forte presença dessas engrenagens administrativas, e especialistas alertam que a disputa estadual não pode ser lida como simples desdobramento da eleição municipal, como o marqueteiro sugere ao insistir em comparações que ignoram diferenças essenciais.
Em meio ao desgaste crescente da imagem de Omar, tanto na capital quanto no interior, a mudança no discurso de Durango — que passou do “ganhamos no primeiro turno” para “estaremos no segundo turno” — é interpretada como sinal de fragilidade. Para parte dos observadores políticos, inclusive, há a possibilidade concreta de o senador sequer avançar para o segundo turno, caso o cenário continue caminhando na direção atual. O clima entre as bases, as pesquisas e as ruas aponta para uma disputa mais aberta e tensa do que o grupo de Aziz projetava inicialmente, evidenciando um momento de incerteza estratégica para a campanha.