A divergência entre os levantamentos eleitorais realizados no Amazonas voltou a acender o debate sobre a confiabilidade das metodologias utilizadas pelos institutos. Enquanto duas pesquisas consecutivas do IPEN apresentam resultados alinhados entre si e coerentes com o histórico recente do cenário político do Estado, o estudo divulgado pela Census assumiu uma posição totalmente destoante, gerando estranhamento entre analistas e lideranças locais.
O principal ponto de questionamento recai sobre a forma como cada instituto coleta seus dados. No caso da Census, a pesquisa é realizada por telefone — um método que, embora comum em outros estados, encontra sérias limitações no Amazonas. Grande parte da população ainda convive com acesso instável ou inexistente à telefonia móvel, especialmente em áreas ribeirinhas, comunidades afastadas e municípios do interior. Isso compromete a representatividade da amostra e tende a privilegiar um público mais restrito, urbano e com melhores condições socioeconômicas.
Já o IPEN, por outro lado, mantém seu tradicional formato de entrevistas presenciais. Pesquisadores percorrem bairros da capital e cidades do interior, incluindo regiões periféricas e localidades que só podem ser acessadas por estradas fluviais. Esse método garante uma aproximação mais fiel à realidade do eleitorado amazonense, contemplando grupos que dificilmente seriam captados por ligações telefônicas.
Somando todos esses fatores, especialistas avaliam que os dois levantamentos recentes do IPEN se confirmam mutuamente, apresentando resultados consistentes e alinhados ao comportamento eleitoral observado em pesquisas anteriores. Em contrapartida, o estudo da Census surge completamente fora da curva, exibindo números que não guardam relação com as tendências apontadas tanto por outros institutos quanto por análises políticas locais.
A discrepância levantada é tão expressiva que coloca o levantamento telefônico em evidente descompasso com o retrato real do Amazonas. Para lideranças e observadores, a ausência de lógica eleitoral nos números apresentados pela Census levanta dúvidas sobre sua capacidade de mensurar o ambiente político de um estado com características únicas e complexas.
O debate reforça a importância da metodologia como elemento decisivo na credibilidade das pesquisas, especialmente em regiões onde o acesso à comunicação ainda é desigual e onde a presença física do pesquisador continua sendo fundamental para captar a diversidade do eleitorado.