A divulgação de uma pesquisa telefônica realizada pela Census Consultoria, empresa recente no mercado de levantamentos eleitorais, gerou forte estranhamento entre analistas e integrantes do meio político amazonense. Isso porque os números apresentados destoam completamente das tendências consolidadas pelas pesquisas presenciais do IPEN realizadas em julho e novembro, ambas reconhecidas pela estabilidade e coerência dos resultados.
De acordo com os levantamentos do IPEN, o cenário eleitoral vinha seguindo uma trajetória previsível: Omar Aziz aparecia firme na liderança, mantendo índices semelhantes nos dois estudos. Maria do Carmo oscilava dentro de uma normalidade estatística, enquanto o prefeito David Almeida registrava crescimento contínuo, alcançando mais de 33% dos votos válidos na pesquisa mais recente, de novembro. Esse comportamento, repetido em duas rodadas presenciais distintas, consolidava um cenário eleitoral consistente.
A pesquisa da Census, entretanto, interrompe completamente essa linha de evolução. O levantamento aponta que David Almeida teria caído abruptamente para 20% das intenções de voto — uma redução brusca e sem qualquer evento político relevante que justificasse tal mudança em tão curto intervalo de tempo. A consultoria também atribui ao prefeito uma rejeição de 61%, índice que não aparece em nenhum estudo divulgado anteriormente e que não acompanha qualquer movimento registrado pelo IPEN ou por outras fontes.
Além da discrepância numérica, a metodologia utilizada pela Census é um ponto considerado crítico por especialistas. O levantamento foi feito exclusivamente por telefone, adotando um modelo que, no Amazonas, tende a excluir grande parte da população, especialmente moradores de áreas periféricas e rurais onde o acesso à telefonia móvel é limitado. Esse recorte restrito compromete a representatividade da amostra e tende a distorcer o retrato real do eleitorado.
Já o IPEN adotou em ambos os estudos a metodologia presencial, deslocando equipes para bairros, comunidades e municípios, o que garante maior diversidade de perfis e fidelidade aos cenários eleitorais locais. A consonância entre os dois levantamentos presenciais reforça ainda mais a suspeita de que os números da Census escapam ao padrão esperado.
No final, o contraste entre as pesquisas é tão marcante que coloca o estudo da Census em evidente desalinhamento com a realidade captada pelos demais institutos. A falta de coerência estatística e a metodologia limitada intensificam o debate sobre a confiabilidade do levantamento, que, para muitos observadores, não reflete o comportamento atual do eleitor amazonense.